Prá não dizer que não falei de flores

Um dos grupos mais interessantes que frequento no Facebook – a rede social mais popular aqui e agora – é o “Fotografando Nova Friburgo”, cujo objetivo é “procurar novas fotos e retratos de nossa cidade”. Qualquer usuário do Face que curta ou tenha algum um tipo de câmera fotográfica pode participar e o endereço é o https://www.facebook.com/groups/FotografandoNovaFriburgo/.

O mais divertido, no entanto, são as gincanas. Durante uma semana é sugerido um tema para fotografar. Podem ser personalidades, calçadas, montanhas, animais, ruas, insetos, aves e por aí vai. O vencedor, eleito por votação direta de todos os participantes, escolhe o assunto da semana seguinte. Uma ideia simples que vem produzindo boas fotos e ótimas amizades.

Um dos temas que fez mais sucesso foram as flores e não por acaso, afinal Nova Friburgo é pródiga nesse setor. Basta andar pelas ruas da cidade, em qualquer bairro e reparar nos quintais, jardins, praças e até mesmo terrenos baldios. Flores de todos os tipos nos aguardam em cada esquina, sem nenhum exagero, é claro. Aliás, para quem não sabe, o município serrano é o maior produtor do Estado do Rio e o segundo do país, principalmente o cultivo de rosas, cravos, crisântemos e bromélias.

O condomínio onde moro é um bom exemplo mas, já que recomendo uma caminhada pelos jardins do Nova Friburgo Country Club, uma área de 80 mil metros quadrados projetados pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, o mesmo que idealizou a Quinta da Boa Vista, no Rio. Ali, entre diversos tipos de flores, árvores, riachos e lagos, talvez esteja um dos mais belos parques do Brasil.

Sou um completo analfabeto quando o assunto são flores mas sei muito bem que como “modelos” para fotos, são imbatíveis! Flores são tão bonitas que nem precisam fazer pose. Nunca reclamam da nossa demora para “acertar” a câmera, não se mexem e algumas até nos presenteiam com um perfume gostoso e elegante. Decididamente, fotografar flores é Zen e se for em Nova Friburgo é o próprio Nirvana!

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Uma dica para os turistas: o outono é, possivelmente, a melhor época para sair por aí com uma máquina fotográfica nos ombros, clicando Nova Friburgo pra cima e pra baixo. O céu muito azul contrastando com a mata verde, a luminosidade e o tempo frio na medida certa são um convite para tirar a câmera fotográfica da gaveta e subir a serra.

O grande pintor francês Matisse, afirmava que “sempre há flores para aqueles que querem vê-las”. No caso de Nova Friburgo, felizmente elas estão por todos os lados e até mesmo quem não tem o menor jeito para cultivá-las, como esse cronista que vos escreve, pode registrar seu curto momento de beleza com uma câmera fotográfica qualquer. Basta tentar e se surpreender com o resultado.

Afinal, como os poetas cantam, flores não foram feitas apenas para reprodução, elas também emocionam.

O casarão da Vila Amélia

Já vi esse filme antes e não gostei: o imóvel é utilizado por um órgão público, não é devidamente conservado e, um belo dia, é devolvido aos antigos donos em estado tão deplorável, que torna proibitiva a sua manutenção. É o que está acontecendo com a casa que abrigou durante não sei quantos anos a delegacia de polícia de Nova Friburgo e acabou sendo interditada pela Defesa Civil, dada a precariedade de suas instalações.

O governo do estado não tinha a obrigação, como qualquer inquilino, de devolver o imóvel em boas condições? E agora, vão esperar a casa cair de podre ou ser consumida em um incêndio qualquer?

Pois é!

Os tapetes de Corpus Christi de Nova Friburgo

Mantendo uma tradição de mais de cem anos, quando os padres do Colégio Anchieta passaram a confeccionar tapetes no campo de futebol do colégio, Nova Friburgo, a primeira cidade no Estado do Rio de Janeiro a comemorar o Corpus Christi desta forma, mais uma vez parou para apreciar os belíssimos trabalhos feitos com sal em toda a extensão da Avenida Alberto Braune e acompanhar a procissão.

– Fotos: Carlos Emerson Jr.

Manter o foco

Um ano se passou, as chuvas deram uma trégua e a tragédia de janeiro de 2011, que devastou a Região Serrana do Rio, vai ficando cada vez mais restrita aos que ainda sofrem com as suas consequências. Claro que a vida tem que continuar, mas basta olhar em volta para perceber (ou lembrar) que Nova Friburgo continua completamente vulnerável.

Sei muito bem que tocar nesse assunto é difícil e doloroso. As obras tão necessárias se arrastam lentamente, reféns da indecisão, burocracia e falta de vontade política, apesar de, volta e meia, serem anunciadas com pompa e circunstância pelas autoridades de plantão.

Para cobrar mais ação na reconstrução de nossa cidade, fiz um resumo das recomendações listadas no artigo “8 soluções para evitar outra tragédia”, das jornalistas Malu Gaspar, Renata Betti e Roberta Lima de Abreu, publicado no Planeta Sustentável em janeiro de 2011. E não pensem que tem alguma mágica, são apenas algumas recomendações que, cumpridas ao pé da letra, teriam feito uma enorme diferença.

É bom frisar que, pelo menos em Nova Friburgo, já avançamos em alguns pontos como as sirenes, avisos e abrigos, algumas obras em encostas, a reorganização da Defesa Civil e só, não é? Muito pouco e daí o meu temor que as disputas políticas e as eleições municipais desviem a foco do andamento das obras e a construção das residências dos desabrigados.

É necessário evitar os erros do passado e lembrar que prevenção custa muito menos do que reconstrução. Vidas humanas, meus caros, não tem reposição.

MAPEAR AS ÁREAS DE RISCO

Existe um consenso de que o primeiro e o mais básico passo para a prevenção de tragédias desencadeadas por desastres naturais é traçar um retrato das áreas mais vulneráveis de cada cidade – fruto de um levantamento topográfico de altíssima precisão e de uma minuciosa pesquisa de campo empreendida por geólogos. Só com isso é possível saber onde as pessoas podem morar em segurança e de onde elas devem sair.

FISCALIZAR A OCUPAÇÃO IRREGULAR DO SOLO

O Código Florestal proíbe construções em topo de morros, em encostas com inclinação superior a 45 graus e a menos de 30 metros de distância do leito dos rios – só que é amplamente desrespeitado no território nacional. Centenas de mortes ocorreram justamente porque ninguém obedecia às normas, tanto pobres como ricos. Falta uma fiscalização efetiva, o que passa por uma completa mudança de cultura e métodos nas repartições públicas responsáveis.

REMOÇÕES EM ÁREAS DE RISCO

Remover as pessoas de sua casa não é fácil. A maioria resiste, mesmo correndo flagrante risco de vida – algo que a cidade de Blumenau tem conseguido minorar. Não raro, os moradores obtêm até amparo legal para ficar. A experiência internacional mostra que nenhuma solução é tão eficaz na prevenção a tragédias em regiões de topografia acidentada quanto às remoções. Infelizmente, na serra fluminense elas são a exceção.

CONTENÇÃO DE ENCOSTAS

O grupo de arquitetos e engenheiros ouvido é unânime em afirmar que, caso na serra fluminense houvesse obras de contenção de encostas em extensão e qualidade suficientes, os deslizamentos teriam sido minimizados – poupando centenas de vidas. Alegam as autoridades que custa caro, no entanto, não resta dúvida de que o dinheiro público, em geral tão mal gasto, encontraria aí uma boa aplicação.

CONSTRUÇÕES MAIS SEGURAS

Criar regras para a construção de casas e prédios é atribuição de cada município brasileiro. Espantosamente, na Região Serrana do Rio não existem leis a respeito. A maioria dos alvarás é concedida ali sem que se verifique sequer se a estrutura da edificação é capaz de suportar pressões ou o deslizamento do solo.

SISTEMA EFICAZ DE RADARES

Todos concordam que a ausência no Brasil de um sistema integrado de radares de alta precisão aumenta a vulnerabilidade diante de fenômenos como a tempestade de duas semanas atrás. Na ocasião, o radar usado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), fincado na serra, estava quebrado. Apesar de existir um equipamento similar no Rio, que flagrou as chuvas, as autoridades dos municípios que viriam a ser atingidos não foram devidamente alertadas.

ALERTAS DE EMERGÊNCIA

Faltam às cidades serranas – assim como à maioria dos municípios brasileiros – sistemas de alarme para avisar a população em situações de perigo. As pessoas que moram em áreas de risco podem assim deixar sua casa a tempo. Quanto mais treinada a população, melhores os resultados. Em Los Angeles e em Tóquio, aprende-se como proceder em caso de terremoto – até na escola.

COORDENAÇÃO DE AÇÕES

Para oferecer resposta imediata depois de uma tragédia já consumada, é necessário que os principais órgãos públicos da cidade já estejam previamente integrados e obedeçam a protocolos estabelecidos para situações de emergência. Ao ser acionada, cada equipe precisa saber exatamente o que fazer de acordo com a natureza do problema, obedecendo a um comando único. O que predomina nesse campo é o completo improviso, como ocorreu na tragédia. Ali se viu um exemplo de solidariedade das pessoas comuns – e um show de incompetência por parte das autoridades.

De volta para a estrada do contorno

Ano eleitoral é uma farra, não tem jeito… Pela enésima vez o governo do estado anuncia a construção da Rodovia do Cimento, perdão, Estrada do Contorno de Nova Friburgo, que vai ligar Duas Barras a Mury, numa extensão de 42 quilometros. Desta vez o prazo de conclusão é 2014 e até agora quase nada sabemos sobre o seu traçado.

Aliás, ouvi por aí que a RJ-116 vai ter terceira pista entre Duas Barras e Cordeiro. Alguém sabe se isso é verdade?

oOo

O Governo do Estado vai investir R$ 2,8 bilhões na malha rodoviária fluminense. As obras contemplarão 750 quilômetros de estradas estaduais e serão realizadas até 2014 pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Os recursos para esta série de melhorias virão de organismos internacionais e através de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O Banco Mundial já autorizou o empréstimo de R$ 1 bilhão, a Comissão Andina de Financiamento (CAF) vai financiar R$ 500 milhões e o DER espera levantar mais R$ 1,3 bilhão com as PPPs para realizar obras.

“A maioria das obras está em fase final de elaboração de projetos. Outras estão em andamento, com previsão de inauguração dentro de dois ou três meses, como as pontes sobre o Rio Paraíba do Sul, uma em Quatis, no Sul do estado, e outra em Itaperuna, no Noroeste fluminense”, afirma o presidente do DER, Henrique Ribeiro.

Entre as obras previstas estão a construção de uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, entre os distritos de Domingos e Barcellos, asfaltamento de 39 quilômetros das RJ-194 e RJ-196 entre a BR-101, em Campos dos Goytacazes, e São Francisco de Itabapoana, a duplicação das estradas Maricá-Saquarema e Rio das Ostras-Macaé, a construção da estrada de contorno de Nova Friburgo, entre Mury e Duas Barras, com extensão de 42 quilômetros, a recuperação da RJ-130 (Teresópolis- Friburgo) e da RJ-134 (Petrópolis- São José do Vale do Rio Preto), mais obras em 22 quilômetros das RJ-178 e RJ-180 entre Quissamã e Dores de Macabu, distrito de Campos, e a restauração, com construção de acostamento, em 27 quilômetros da RJ-192, entre Itaocara, no Noroeste, e São Fidélis, no Norte.

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Fonte: Governo do Estado do RJ
Foto: Montanha Cup 2010 (Serrinha do Colonial 61)