Lixo em Lumiar

Foto: Saint Clair Mello

Confesso que fiquei arrepiado quando soube o motivo da revolta dos moradores de Lumiar, bucólico e simpático distrito de Nova Friburgo: a implantação de um lixão! Como assim? Querem matar o que ainda resta de turismo em nossa cidade? Nem foi preciso chegar, o jornal local A Voz da Serra reproduziu declarações de diretores da concessionária de lixo, a EBMA, garantindo que a intenção é a construção de um “ecoponto, local de entrega voluntária de resíduos recicláveis e para armazenamento temporário de resíduos domiciliares”.

Sei lá. Mais uma vez a falta transparência entre os órgãos da administração municipal e os moradores traz dúvidas e incertezas. O que tenho certeza mesmo é que uma obra dessas, da maneira como for feita e utilizada, pode produzir danos irreparáveis no meio ambiente e no turismo de Nova Friburgo. Acho bom ficarmos todos com olhos e ouvidos bem abertos.

Momento de reflexão

Uma data importante para o nosso futuro: o próximo dia primeiro de agosto será conhecido como o “Dia de Sobrecarga da Terra”, marcando o triste e patético momento que o consumo de nossos recursos naturais (alimentos, água, fibras, madeira, terra e emissões de carbono) supera o volume que o planeta é capaz de renovar. Para piorar, faltam cinco meses para 2018 terminar. Desde 1970, quando a data começou a ser “comemorada”, foi a primeira vez que chegamos ao ápice da irresponsabilidade tão cedo!

Pois é… Enquanto isso não enxergamos o problema, brigamos uns com os outros, consumimos sem limites, sujamos nossos rios e mares, devastamos a terra e acreditamos piamente que nossas vidinhas são eternas. Meus pêsames, terráqueos.

Onda verde

Foto: Carlos Emerson Junior

Na época da Rio+20 , lá no ano de 2012, recebi a historinha abaixo por e-mail, de autor ignorado, ilustrando como a nossa sociedade consome e descarta em ritmo acelerado, sem medir ou sequer ter noção de suas consequências. Quando deixamos que a situação fugisse do controle, jamais imaginamos que o futuro chegaria tão cedo, cobrando o preço de nossa imprevidência. Rendeu até uma crônica no jornal A Voz da Serra, daqui de Nova Friburgo.

Divirtam-se!

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“Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:

– A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

– Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

– Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.

A velha senhora suspira profundamente e fala:

– Você está certo, a minha nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, refrigerante e cerveja eram retornáveis: a loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso.

– Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência cada vez que precisamos ir a dois quarteirões. Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente.

– Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos e não roupas sempre novas. Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente.

– Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma em cada quarto. Na cozinha, batíamos tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco mais frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

– Bebíamos água diretamente da fonte, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Recarregávamos as canetas com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos descartáveis e poluentes só porque a lamina ficou sem corte.

– Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

– Por tudo isso, meu jovem, é risível que hoje se fale tanto em meio ambiente, mas ninguém pense em abrir mão de nada e muito menos viver um pouco como na minha época.”

Carlos Emerson Junior (2012/2018)

Cidade sem carros

Acabei de ler a notícia abaixo, da jornalista Vanessa Barbosa, no site do Planeta Sustentável:

Já imaginou uma cidade inteira livre do caos, barulho e poluição provocados pelo trânsito? Pois Paris ficará (quase) assim no dia 27 de Setembro. A cidade luz vai fechar suas principais avenidas para veículos durante um dia inteiro em ação inédita pela mobilidade sustentável.

Nenhum veículo motorizado será autorizado a conduzir pelas ruas, com algumas exceções, como ambulâncias e viaturas policiais. Pedestres e ciclistas poderão circular livremente pelos espaços antes tomados por carros.

“Vamos fazer deste primeiro dia sem carros uma grande festa cívica, de momentos deliciosos”, diz a organização do evento. Estão previstos shows, exposições e uma série de outras atividades de entretenimento.

As áreas sem tráfego incluem 11 bairos (do 1º ao 11º arrondissement), e os mais conhecidos pontos tursíticos, como a avenida Champs-Élysées, a Praça da República e de Stalingrado, a Praça da Bastilha e toda área ao redor da Torre Eiffel e do Bosque de Boulogne, entre outros.

A combinação do tráfego intenso com fatores climáticos atípicos tem sido motivo de preocupação na cidade nos último dois anos. Em 2014, a prefeitura chegou a liberar transporte público gratuito para deter os altos níveis de poluição.

Este ano, só no mês de março (que marca o fim do inverno e começo da primavera no país), a cidade precisou implementar mais de três rodízios contra a poluição.

Com a aproximação da conferência internacional sobre as mudanças climáticas, COP21, que acontece em dezembro na capital francesa, Paris quer dar o exemplo na luta contra a poluição e multiplicar ações semelhantes.

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Adorei a ideia! E aí pessoal, vamos fazer o mesmo em nossas cidades? Aliás e a propósito, a foto da Avenida Presidente Vargas, foi “editada” pelos autores do artigo “E se o Rio de Janeiro não tivesse carro”, juntamente com imagens de outras vias importantes, completamente vazias. Não deixe de passar lá!

Era uma vez uma Lagoa

Pois é, já foram recolhidas 52 toneladas de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas, aqui no Rio, local belíssimo onde serão disputadas as provas de remo e canoagem durante os Jogos Olímpicos de 2016.

Diante de mais um vexame ambiental, só me resta assinar embaixo do desabafo do jornalista Aydano André Motta, em sua coluna Panorama Carioca, no O Globo:

“Não são só os peixes, coitadinhos, que estão morrendo na Lagoa. Na água fétida, jaz o prestígio dos homens públicos que sequer têm a decência de vir a público pedir desculpas pelo crime contra um dos mais valiosos tesouros cariocas.

Todos submersos, no jogo de empurra.”

Foto: R.Moraes (Reuters)

Rio 47º

Segundo a Prefeitura do Rio, o bairro de Jacarepaguá, na zona oeste da cidade, está fervendo (literalmente). Ao meio-dia a sensação térmica chegou a 47 graus e às 13h o termômetro marcava 41 graus, sensação térmica de 48 graus e umidade relativa de 36%. O Aeroporto Santos Dumont, no Centro, também exibia os mesmos números.

Aqui em Copacabana a situação está mais leve: os termômetros de rua, expostos diretamente ao sol, marcam 38º mas, na sombra, melhora muito: aqui dentro do escritório, com a janela aberta e o ventilador de teto ligado, o termômetro digital registra “suaves” 28 graus. Imagino que a praia, com a brisa marinha, está fazendo a alegria dos turistas que invadiram o bairro, sei lá eu porquê!

Como consolo, todos serviços de meteorologia garantem que esse calorão antecede uma frente fria trazendo muita chuva, raios, trovões e queda da temperatura ainda essa tarde. Pode ser. Mas certo mesmo é que amanhã subo direto para Nova Friburgo. É claro que lá também está quente mas, sensação térmica de quase 50º, só mesmo se o planeta sair do eixo.

Mais do que já está!

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PS: a foto, de autor desconhecido, mostra um grupo de turistas aproveitando as delícias da Praia de Copacabana, encantadas com a amável temperatura da primavera carioca. Voltem sempre, mocinhas!