Oração

“Concedei-me, Senhor a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar.
Coragem para modificar aquelas que posso e
Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.”
(Trecho da Oração da Serenidade)

Não sou religioso, crente, teólogo, padre, sequer um católico praticante. Pelo contrário, grande parte de minha vida mantive Deus a uma distância segura de convicções materialistas, leituras científicas e principalmente, minhas fraquezas, decepções e frustrações. Com a idade (como a gente aprende com o tempo…) fui percebendo que verdades não são imutáveis e nossas crenças (ou a falta delas) oscilam de acordo com momentos, realizações, alegrias e, é claro, sofrimentos.

Mas o objetivo da crônica não é falar de mim e sim prestar uma pequena homenagem a oração, princípio básico que rege todas as religiões desse mundão, sejam elas quais forem. Quem nunca se emocionou com a Oração de São Francisco de Assis, um apelo emocionante, simples e direto em busca e em favor da humanidade?

“Senhor, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna.” (Oração de São Francisco de Assis)

Rezar ou orar é falar com Deus, mas também abrir o coração para nós mesmos, admitir nossos preconceitos, medos, ódios, dúvidas, paixões. É quase um estado de graça, um mantra, uma meditação, como queiram. É uma benção que temos para aliviar nossas dores internas, chorar vidas queridas perdidas, implorar por força para enfrentar obstáculos, pedir alimento, água e abrigo quando estamos sós e tristes.

“Que eu possa ser o refúgio dos seres sem refúgio.
Possa ser o protetor dos seres sem protetor.
Que eu possa ser a morada de seres sem moradia.
Possa ser o país dos seres sem país.
Que eu possa ser o amigo dos seres sem amigos.
Possa ser o apoio dos seres sem apoio.”
(prece budista)

Martinho Lutero, monge agostiniano alemão, principal nome da reforma protestante, escreveu que “muitas vezes fui levado à oração pela irresistível convicção de que este era o único lugar para onde podia ir.” Foi exatamente essa atração que me levou a rezar com fé, a conversar com Deus, a ouvir o que meu eu estava falando. A acreditar que a oração acalma, consola e dá esperanças.

Em seu artigo “Rezar funciona!”, o Rabino Shabsi Alpern ensina que “antes de tudo, a oração nos ajuda a aceitar a vontade de D’us. Mais ainda, a prece estimula o seguinte pensamento numa pessoa sincera: “Como mereço ser atendida?” Ela faz uma auto-análise que, por sua vez, gera mudanças construtivas de caráter, tornando-a mais receptiva à bondade Divina — uma bondade que está sempre emanando, mas que nem sempre o ser humano está em condições de receber. Este é o papel da oração sincera”.

“O amor é um oceano infinito,
cujos céus são apenas um floco de espuma.
Saiba que as ondas do Amor é que fazem girar a roda dos céus,
pois sem o Amor o mundo seria sem vida.”
(trecho de oração islâmica)

E é com muito amor no coração que peço licença para agradecer publicamente a Nossa Senhora por uma graça recebida. Obrigado por ouvir minhas preces, por me dar força e serenidade quando mais precisei. Essa crônica é dedicada a ela e a todos que rezam com fé, desapego e amor.

Gratidão

Foto: Carlos Emerson Jr.

“Só há felicidade se não exigirmos nada do amanhã e aceitarmos do hoje, com gratidão, o que nos trouxer. A hora mágica chega sempre”. (Hermann Hesse)

E é com o coração cheio de amor e gratidão e lágrimas que insistem em descer dos meus olhos que agradeço aos Dr. Sérgio Polo, cirurgião e gastroenterologista aqui de Nova Friburgo que diagnosticou minha doença e deu um norte para minha cura.

Agradeço ao Dr. Flávio Sabino, cirurgião oncologista e sua equipe, que tirou minhas dúvidas e medos, me operou e cuidou de mim durante toda a hospitalização.

Agradeço aos médicos, equipes de enfermagem e de serviços de saúde do Hospital Quinta D’Or, no Rio de Janeiro, sempre atenciosos, eficientes e carinhosos. Ao pessoal do CTI, que “hospedou” esse velho paciente por sete dias, um obrigado especial: vocês foram demais.

Agradeço aos amigos e vizinhos que colocaram meu nome nos cultos Católicos, Evangélicos, Messiânicos, Presbiterianos e Espíritas. O tempo todo me consolava sabendo que Ele estava perto de mim. Da mesma forma, agradeço a preocupação e alegria quando de meu retorno. Valeu muito!

Agradeço a minha família, especialmente minha querida irmã Regina e meu cunhado Pedro, que me acompanharam nesta jornada e ainda me deram abrigo, amor e alimento em sua casa antes que eu fosse liberado para voltar para Nova Friburgo.

Agradeço a minhas filhas Mariana e Denise por toda a ajuda, orações, companhia e amizade por esse pai que tanto adora vocês!

Agradeço a Fafá, grande paixão amor de minha vida, presente em todas as horas boas e ruins que vivemos juntos no mês de março, carinhosa e cuidadosa ao extremo. Não tenho como pagar essa dívida a não ser com muito amor.

Finalmente, agradeço a Deus pela benção, proteção, força e serenidade que me permitiram passar por essa provação. Obrigado, Senhor.

Com gratidão,
Carlos Emerson Jr.