Censura!

Uma pequena postagem no Facebook – de uma amiga dos antigos tempos dos blogs – manifestando sua dúvida sobre a política atual de repressão às drogas, rendeu uma série de interessantes e esclarecedores comentários.

Eu mesmo, entusiasmado com o tema, lembrei o livro “Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley, escrito em 1932, mostrando uma sociedade onde o Soma, uma droga sintética, produzida e controlada pelo estado, tinha seu uso liberado e estimulado, para evitar conflitos, paranóias e violência.

Quando me preparava para responder a um questionamento, a rede social simplesmente deletou o post, numa postura completamente arbitrária. Procurei onde protestar, ou pelo menos me informar sobre o motivo da censura mas, pelo visto, só marcando uma audiência com o tal do Zuckerberg.

Tenho uma série de restrições a essa rede social e simplesmente não produzo nenhum conteúdo lá. Tudo o que escrevo é publicado inicialmente em meu blog. A falta de transparência é assustadora.

De qualquer maneira, fica registrado meu protesto contra essa agrassão. Se foi provocada por uma denúncia, a autora do post deveria ter sido ouvida para dar suas razões. Mas, se os agentes da censura foram algorítimos, a coisa é pior ainda: deixa bem claro que no Facebook só serão toleradas piadinhas, gracinhas, fotinhas e outros memes do gênero.

Ou seja, a rede não é séria.

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Já ia colocar um ponto final nesse texto quando me lembrei que o Facebook acabou de admitir que manipulou a timeline de quase 700 mil usuários, sem que eles soubessem, para realizar uma experiência que ilustra bem o que coloquei acima: descobrir se notícias ou postagens “negativas” afugentam o leitor da rede (leia aqui).

A “desculpa” foi singela e arrogante: “para nós, é importante o impacto emocional do Facebook nas pessoas que o usam, por isso fizemos o estudo. Sentíamos que era importante avaliar se ver conteúdo positivo dos amigos os fazia continuar dentro ou se o fato de que o que se contava era negativo os convidada a não visitar o Facebook. Não queríamos irritar ninguém”.

Curiosamente, nessa mesma semana, o Google anunciou que em setembro desativará o Orkut, a ex-rede social mais acessada em todo mundo. Que sirva como um alerta para o Facebook. Tal como os seres humanos, redes sociais não são eternas.

Ódio nas redes sociais

A edição de maio da revista Info traz uma oportuna reportagem sobre a agressividade nas redes sociais. Ofensas, preconceitos e bullying são encontrados cada vez mais nos comentários. Apropriadamente intitulada de ”Ódio.com”, a matéria traz depoimentos de usuários, personalidades, psicólogos, advogados e mostra como empresas como o Facebook e o Twitter lidam com esse comportamento.

Segundo a revista, “nos grandes portais, boa parte das notícias publicadas é imediatamente respondida com opiniões preconceituosas que muitas vezes não têm nenhuma relação com o tema da reportagem. O cenário é ainda pior nas redes sociais, com seu constante estímulo a opinar sobre tudo, a qualquer momento, sem uma análise racional sobre os assuntos comentados”.

E mais: “a necessidade de comentar e de ter opiniões fortes sobre todos os assuntos pode ser resultado de um desiquilíbrio em sua vida social. Como é difícil falar diretamente com um político ou com uma celebridade, a web faz o papel de ponte. (…) Na internet, a pessoa tem a ilusão de resolver problemas com os quais não consegue lidar na vida real, por falta de coragem ou de autoridade”.

Quem tem blogs conhece muito bem esse problema: basta publicar alguma coisa sobre um tema polêmico como aborto, religião, futebol ou, principalmente política, para ficar sujeito a críticas quase sempre sem embasamento, patrulhamento ideológico de diversos matizes e até mesmo xingamentos e ameaças!

Tem saída? Bom, nos blogs existe a função moderação, que só permite a publicação do comentário após sua aprovação pelo autor da postagem. Ofensas gratuitas, opiniões homofóbicas, racistas, misóginas, spam descarado ou simples trolagem são devidamente deletados na raiz. Esse, aliás, é um dos defeitos das redes sociais: as pessoas escrevem sem pensar e acabam dando vazão a um lado da personalidade que não é mostrado na vida real.

É bom lembrar que a lei brasileira pune esse tipo de comportamento e as próprias redes sociais possuem instrumentos para coibir (e até banir) seus usuários mais exaltados (ou antissociais mesmo). A justiça tem sido acionada em casos de injúria e perseguições e o Congresso aprovou a chamada lei Caroline Dieckman, tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos.

A questão que a reportagem deixa em discussão é até onde chegará todo esse ódio. Será que essas discussões insanas não acabarão afastando os criadores de conteúdo, desqualificando um serviço tão útil?