Ah, o interior!

A Voz da Serra

É com essa expressão que uma amiga friburguense da gema, deixa bem clara a sua satisfação de ter voltado a morar e trabalhar em Nova Friburgo. Assino embaixo, naturalmente, afinal eu mesmo me mudei do Rio, em busca de qualidade de vida. Mas o assunto de hoje não é migração urbana e sim a zona rural de nosso município, o interior do interior, se é que posso usar essa expressão.

É com essa expressão que uma amiga friburguense da gema, deixa bem clara a sua satisfação de ter voltado a morar e trabalhar em Nova Friburgo.

Quando ainda era apenas mais um turista, gostava muito de subir pela rodovia RJ-130, a Terê-Fri. Com pouquíssimo trânsito e razoavelmente conservada, permitia fugir do caos das sextas-feiras na Ponte Rio-Niterói e dirigir com segurança e rapidez durante à noite, mesmo aumentando consideravelmente o tempo de viagem.

Uma manhã, bem ali na entrada para São Lourenço, dei de cara com uma enorme plantação de couves-flores, se estendendo até a beira da estrada. Parei o carro na hora para tirar umas fotos e ainda soltei a pérola: “que coisa linda, pena que couve-flor seja tão amarga.” Minha mulher, me olhando como quem tinha acabado de descobrir que o marido é um ET, respondeu no ato: “amarga? Já vi que você nunca provou, é exatamente o contrário!” Achei melhor mudar de assunto…

Pois é, foi o meu primeiro contato com aquela região e sua vocação, a agricultura. Para um carioca de Copacabana, aquilo era o paraíso e juro que cheguei a pensar em largar tudo e comprar um sítio na região para viver da terra, logo eu que jamais plantei sequer plantei um mísero feijão no algodão, na escola primária!

Felizmente o bom senso prevaleceu e me contentei em conhecer lugares sensacionais como os Três Picos, por exemplo, hoje o maior parque estadual do Rio. E olha que chegar lá deu trabalho. Pergunta daqui, erra ali, volta para a trilha acolá, até onde a estradinha de terra permitia a passagem do carro. Daí foi só caminhar para a base da montanha onde, por acaso, um grupo de alpinistas iniciava sua escalada. Aliás, ainda estou me devendo essa parte final do passeio!

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Outra descoberta fantástica foi o Jardim do Nêgo, no Campo do Coelho. Meu cunhado morava em Nova Friburgo e fez questão de me apresentar ao artista que, confesso envergonhado, não conhecia. Meus caros, vocês não imaginam o susto que tomei quando vi as enormes esculturas nos barrancos, cobertas por uma camada de musgo. Eram pessoas, animais, uma índia, um presépio! A criatividade de Geraldo Simplício, o Nêgo, impressiona.

A propósito, está fazendo trinta anos que o artista se instalou em nosso município. Bem que essa data merecia uma comemoração, não é mesmo? Afinal, entre tantos lugares no Brasil, ele escolheu exatamente Nova Friburgo para criar sua arte.

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Um belo dia, zanzando à toa lá pelas bandas de Salinas, tanto fizemos que nos perdemos, é claro. Afinal, o GPS ainda era exclusivo das forças armadas norte-americanas e os mapas disponíveis sempre foram muito lacônicos quando se tratava de zona rural.

Não me pergunte como, mas nessa brincadeira acabamos chegando no IBELGA, mais precisamente na Fazenda Escola Rei Alberto I, onde um vigia gentilmente nos ensinou como pegar de novo a estrada principal. Antes de retornar demos uma circulada pela magnífica instalação, que ainda se dá ao luxo de ter ao fundo a imagem solene dos Três Picos e ficamos sabendo (não se esqueçam que eu ainda era um turista) do convênio educacional entre Nova Friburgo e a Bélgica, tornando viável uma completa escola agrícola em nossa terra.

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No Horto de Conquista, entre bonsais e um delicioso yakissoba servido no restaurante do local, aprendi que não é só São Paulo que tem seus japoneses. Em 1927 o engenheiro agrônomo Tohoro Kassuga chegou em Nova Friburgo com sua família, iniciando o plantio do caqui, fruta até então completamente desconhecida na região. Além das inovações na agricultura, devemos a eles as belíssimas cerejeiras que se adaptaram bem ao nosso clima frio e colorem de rosa todo o município no mês de maio.

A propósito, a Festa das Cerejeiras ou Hanamí, uma tradição da colônia japonesa, se realiza anualmente em um sítio perto de Conquista, festejando com muita dança e comidas típicas a breve floração que anuncia a chegada do inverno. Imperdível, bem como o próprio horto, com suas flores e plantas de todos os tipos e os bonsais, sempre delicados e perfeitos.

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E tem mais, queridos leitores: a Trilha do Barão, que liga Cascatinha a São Lourenço (com mais ou menos 17 quilômetros de extensão) e daí desce até Cachoeiras de Macacu, tem importância histórica, já que era percorrida a pé por tropeiros e escravos para transportarem o café de suas fazendas na região, ótima para praticantes de trekking e ecoturismo.

O próprio clima, marca registrada de nossa cidade, aqui tem lugar especial, uma vez que as temperaturas mais baixas de Nova Friburgo são registradas pela Estação Meteorológica Automática do INMET, situada perto da base dos Três Picos. A região é a segunda do estado do Rio em formação de geadas e do sincelo, fenômeno meteorológico que congela as gotas d’água, aparentando neve.

É ou não é uma atração?

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Os parlamentares do Congresso Nacional garantem que todos sabem como começa uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mas, ninguém se atreve a predizer como ela vai terminar. Com crônicas é a mesma coisa, acreditem. Minha intenção era falar exatamente sobre a óbvia importância econômica da zona rural e sua indiscutível beleza, bem como sugerir uma outra fonte de recursos, o turismo eco rural.

Mas o lado lúdico foi mais forte e acabei me fixando nos pontos que mais me impactaram e olhem que nem citei a Queijaria Escola, Ceasa, Campestre, Vista Soberba e por aí vai. Aliás, vale o conselho: se você não conhece essa região, aproveite os dias ensolarados de inverno para fazer um passeio e descobrir uma Nova Friburgo completamente diferente, com plantações dos dois lados das estradinhas vicinais, sempre protegidas pelos Três Picos.

Ah, o interior! Nova Friburgo, ainda bem, continua linda!

Foto: Carlos Emerson Junior

Manter o foco

Um ano se passou, as chuvas deram uma trégua e a tragédia de janeiro de 2011, que devastou a Região Serrana do Rio, vai ficando cada vez mais restrita aos que ainda sofrem com as suas consequências. Claro que a vida tem que continuar, mas basta olhar em volta para perceber (ou lembrar) que Nova Friburgo continua completamente vulnerável.

Sei muito bem que tocar nesse assunto é difícil e doloroso. As obras tão necessárias se arrastam lentamente, reféns da indecisão, burocracia e falta de vontade política, apesar de, volta e meia, serem anunciadas com pompa e circunstância pelas autoridades de plantão.

Para cobrar mais ação na reconstrução de nossa cidade, fiz um resumo das recomendações listadas no artigo “8 soluções para evitar outra tragédia”, das jornalistas Malu Gaspar, Renata Betti e Roberta Lima de Abreu, publicado no Planeta Sustentável em janeiro de 2011. E não pensem que tem alguma mágica, são apenas algumas recomendações que, cumpridas ao pé da letra, teriam feito uma enorme diferença.

É bom frisar que, pelo menos em Nova Friburgo, já avançamos em alguns pontos como as sirenes, avisos e abrigos, algumas obras em encostas, a reorganização da Defesa Civil e só, não é? Muito pouco e daí o meu temor que as disputas políticas e as eleições municipais desviem a foco do andamento das obras e a construção das residências dos desabrigados.

É necessário evitar os erros do passado e lembrar que prevenção custa muito menos do que reconstrução. Vidas humanas, meus caros, não tem reposição.

MAPEAR AS ÁREAS DE RISCO

Existe um consenso de que o primeiro e o mais básico passo para a prevenção de tragédias desencadeadas por desastres naturais é traçar um retrato das áreas mais vulneráveis de cada cidade – fruto de um levantamento topográfico de altíssima precisão e de uma minuciosa pesquisa de campo empreendida por geólogos. Só com isso é possível saber onde as pessoas podem morar em segurança e de onde elas devem sair.

FISCALIZAR A OCUPAÇÃO IRREGULAR DO SOLO

O Código Florestal proíbe construções em topo de morros, em encostas com inclinação superior a 45 graus e a menos de 30 metros de distância do leito dos rios – só que é amplamente desrespeitado no território nacional. Centenas de mortes ocorreram justamente porque ninguém obedecia às normas, tanto pobres como ricos. Falta uma fiscalização efetiva, o que passa por uma completa mudança de cultura e métodos nas repartições públicas responsáveis.

REMOÇÕES EM ÁREAS DE RISCO

Remover as pessoas de sua casa não é fácil. A maioria resiste, mesmo correndo flagrante risco de vida – algo que a cidade de Blumenau tem conseguido minorar. Não raro, os moradores obtêm até amparo legal para ficar. A experiência internacional mostra que nenhuma solução é tão eficaz na prevenção a tragédias em regiões de topografia acidentada quanto às remoções. Infelizmente, na serra fluminense elas são a exceção.

CONTENÇÃO DE ENCOSTAS

O grupo de arquitetos e engenheiros ouvido é unânime em afirmar que, caso na serra fluminense houvesse obras de contenção de encostas em extensão e qualidade suficientes, os deslizamentos teriam sido minimizados – poupando centenas de vidas. Alegam as autoridades que custa caro, no entanto, não resta dúvida de que o dinheiro público, em geral tão mal gasto, encontraria aí uma boa aplicação.

CONSTRUÇÕES MAIS SEGURAS

Criar regras para a construção de casas e prédios é atribuição de cada município brasileiro. Espantosamente, na Região Serrana do Rio não existem leis a respeito. A maioria dos alvarás é concedida ali sem que se verifique sequer se a estrutura da edificação é capaz de suportar pressões ou o deslizamento do solo.

SISTEMA EFICAZ DE RADARES

Todos concordam que a ausência no Brasil de um sistema integrado de radares de alta precisão aumenta a vulnerabilidade diante de fenômenos como a tempestade de duas semanas atrás. Na ocasião, o radar usado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), fincado na serra, estava quebrado. Apesar de existir um equipamento similar no Rio, que flagrou as chuvas, as autoridades dos municípios que viriam a ser atingidos não foram devidamente alertadas.

ALERTAS DE EMERGÊNCIA

Faltam às cidades serranas – assim como à maioria dos municípios brasileiros – sistemas de alarme para avisar a população em situações de perigo. As pessoas que moram em áreas de risco podem assim deixar sua casa a tempo. Quanto mais treinada a população, melhores os resultados. Em Los Angeles e em Tóquio, aprende-se como proceder em caso de terremoto – até na escola.

COORDENAÇÃO DE AÇÕES

Para oferecer resposta imediata depois de uma tragédia já consumada, é necessário que os principais órgãos públicos da cidade já estejam previamente integrados e obedeçam a protocolos estabelecidos para situações de emergência. Ao ser acionada, cada equipe precisa saber exatamente o que fazer de acordo com a natureza do problema, obedecendo a um comando único. O que predomina nesse campo é o completo improviso, como ocorreu na tragédia. Ali se viu um exemplo de solidariedade das pessoas comuns – e um show de incompetência por parte das autoridades.

Carnaval

A Voz da Serra

Existe um tipo raro de carioca que não gosta de carnaval e eu mesmo sou um bom exemplo. Enquanto a preocupação da maioria dos meus conterrâneos é, não necessariamente nessa ordem, sair em todos os blocos possíveis, participar dos desfiles no Sambódromo e mandar a patroa e a filharada para uma praia distante, de preferência na Austrália, simplesmente me contento ficando aqui na serra, bem escondido do resto do mundo.

Está bom, escondido é um exagero, até porque costumo me mandar para São Pedro da Serra, um dos lugares com o Carnaval mais animado que conheço. Além do mais, não dá para ficar indiferente aos quase cinco dias de folia, o maior feriadão do ano. Para o bem ou para o mal, Carnaval é um bom negócio e essencial para o turismo de cidades como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Cabo Frio e, porque não, Nova Friburgo.

De fato, já foi nosso o título de segundo Carnaval mais importante do Estado do Rio. Em 1872 a Sociedade Musical Campesina solicitou à Câmara de Vereadores uma autorização para realizar dois bailes carnavalescos, nos dias 11 e 13 de fevereiro, no Edifício do Senado, na Rua do Senado, atual Avenida Alberto Braune.

Em 1900 dois salões dividiam os foliões de Nova Friburgo, o da Banda Campesina, também conhecido como Baile dos Pobres e o do Hotel Engert, o Baile dos Ricos, uai. Na Praça XV, atual Getúlio Vargas, acontecia o desfile de automóveis conversíveis, o Corso, onde “belas e gentis senhoritas exibiam seus charmes, atirando confetes e serpentinas no público presente”.

A primeira escola de samba friburguense, a Alunos do Samba, foi fundada em 1946 e no ano seguinte era realizado o primeiro concurso de escolas de samba de Nova Friburgo, em frente ao Clube de Xadrez, na Avenida Galdino do Vale Filho. Em 1956 os desfiles foram transferidos para a Avenida Alberto Braune, onde estão até hoje.

O Carnaval varia de cidade para cidade e o de Nova Friburgo é nitidamente influenciado pelo do Rio de Janeiro. Aliás, o formato atual lembra muito os antigos desfiles na Avenida Rio Branco, abertos ao público. Os bailes nos clubes de nossa cidade e os blocos, organizados ou não, completam o quadro básico.

Mas os tempos mudaram e o Carnaval, principalmente nos grandes centros, virou um negócio muito sério, envolvendo televisão, patrocínios caríssimos, subvenções, tecnologia, sambódromos, turismo e um enorme contingente de profissionais que vivem exclusivamente disso. A era romântica da escola que dependia apenas da comunidade, ficou definitivamente para trás.

Nova Friburgo não acompanhou essa, sem trocadilho, globalização e se manteve bem popular, fiel às suas origens. Os desfiles continuam gratuitos e as escolas se esmeram para oferecer um espetáculo digno e empolgante, assim como os blocos que abrem os trabalhos na sexta-feira ou saem pelos bairros nos demais dias da festa.

No ano passado, ainda sob o impacto da tragédia de janeiro, não organizamos o nosso Carnaval. Ninguém tinha motivo para festejar coisa alguma e precisávamos reconstruir nossas vidas. Durante todo o ano, em meio a instabilidade política que praticamente paralisou a cidade, chegou a ser aventada a hipótese de não realizar a edição de 2012.

Pois é, sei que é estranho um sujeito que não gosta de carnaval dar esse tipo de palpite, mas sou completamente a favor da realização da festa. Precisamos de toda a ajuda possível e concordo que a visão da cidade, com suas encostas desprotegidas, ruas enlameadas toda a vez que chove e um enorme aspecto de abandono, desanima qualquer um.

E não estou falando só em turistas, não. O aspecto de Nova Friburgo no Ano Novo foi deprimente: as ruas completamente vazias, tudo fechado, quase uma cidade fantasma. Será que isso faz bem para nossa auto-estima? Claro que não e só de imaginar como ficaria a cidade no feriadão, sem qualquer evento, chego a me arrepiar!

Precisamos movimentar a economia e mostrar para quem nos visita que ainda somos a mesma cidade bela e hospitaleira de sempre. Nosso Carnaval é animado e tenho certeza que todos os que estão diretamente envolvidos com a sua organização, vão fazer o máximo para levar alegria e diversão principalmente aos friburguenses.

É isso, meus amigos. Sem medo algum, vamos colocar os blocos nas ruas, rindo de nós mesmos. Mostrar para nossas crianças que elas ainda podem brincar e acreditar que, realmente, dias melhores virão. E para nós, friburguenses ou não, basta passar uma tinta branca no rosto e amarrar uma bola vermelha no nariz. Garanto que 2012 vai ficar conhecido como o ano que o povo de Nova Friburgo inundou as ruas da cidade de palhaços.

Que venha o carnaval!

De olho nos prédios

A Voz da Serra, 2/2/2012

O trágico desabamento de três edifícios no centro da cidade do Rio de Janeiro imediatamente remete à pergunta: como estarão os prédios de Nova Friburgo? A dúvida é pertinente e possivelmente está sendo feita em todas as cidades brasileiras. A hipótese mais provável para explicar o acidente teria sido uma obra irregular e, para variar, a eterna falta de fiscalização.

Pouquíssimas prefeituras tem estrutura ou até mesmo legislação sobre o assunto. Curitiba e Recife, se não me engano, estão entre elas e efetuam vistorias periodicamente ou em casos de denúncias. Mas apenas a autuação do condomínio não é suficiente: a fiscalização tem que continuar até que todas as obras exigidas sejam realizadas.

Não tenho a menor noção do estado de conservação dos velhos prédios friburguenses. Na Praça Getúlio Vargas, por exemplo, é possível observar uma série de imóveis, alguns até mesmo ocupados por órgãos oficiais, em péssimo estado, pelo menos externamente. Será que passariam em uma vistoria? Seus para-raios e equipamentos para combate de incêndios, como extintores e mangueiras, estão em boas condições? Moradores e funcionários tem noção do seu uso?

As instalações gás são seguras? E a rede elétrica? O número de aparelhos de ar condicionado tem aumentado muito em Nova Friburgo: será que as instalações existentes suportam esse aumento de carga? Vazamentos e infiltrações de água, que acabam com paredes e pisos, já foram sanados? As vistorias dos elevadores estão em dia? Escadas de emergência sinalizadas e livres? O número de itens a serem verificados é enorme e dizem respeito à nossa segurança.

As reformas ou obras realizadas foram licenciadas na Prefeitura? Os projetos foram elaborados por profissionais do setor, devidamente registrados no CREA? Tudo isso pode parecer um exagero mas, diante da dimensão do aparente descaso que resultou na morte de 17 pessoas e a queda dos prédios no Rio, completamente justificável e necessário.

Tragédias são sempre deploráveis mas temos a obrigação de tirar algum tipo de lição. Tal como nos acidentes aéreos, saber o que saiu errado evita sua repetição. Agir preventivamente, fiscalizando e corrigindo as irregularidades encontradas, além de informar e educar proprietários e usuários é a única maneira de impedir a perda de vidas e a destruição de bens.

É bom deixar claro que prédios velhos não são sinônimos de risco e com boa manutenção e respeito às suas características, ainda vão durar muito. No entanto, não convém ficar sentado, esperando a ajuda cair do céu. Se você tem alguma dúvida quanto a segurança do seu imóvel, entre imediatamente em contato com a Defesa Civil.

Sua vida vale muito mais!

Uma cidade turística

A Voz da Serra

Será que ainda somos uma cidade turística? O aspecto do Centro, no primeiro dia do ano, era desanimador. Afinal, além da chuva que desde outubro encharca a cidade e nos deixa cheios de preocupações, não havia nenhum estabelecimento comercial aberto, sequer um restaurante ou barzinho para beliscar.

A imagem de uma cidade fantasma no dia primeiro não é nenhum exagero. Pessoalmente até gosto, aproveitando para acordar muito tarde e simplesmente não fazer absolutamente nada, tipo desligadão total. Mas como explicar essa situação para um turista, obrigado a permanecer dentro do quarto do seu hotel ou pousada, olhando a chuva cair e jogando paciência, se ainda tiver alguma?

É complicado e sei bem o que é isso, já que antes de morar aqui subi várias vezes como turista para passar o ano. Com o tempo aprendi a correr no dia seguinte para o velho e tradicional Majórica, lá na praça, aproveitar bem o almoço com os bons vinhos da casa e voltar caminhando, é claro, feliz da vida para o hotel.

Mas a churrascaria acabou e, pelo visto, todo mundo resolveu tirar férias, deixando o Primeiro Distrito sem nenhuma atração. E por que não ir para Lumiar ou São Pedro da Serra? Ora, meus caros, como ex-turista posso garantir que jamais, depois de uma farra no réveillon, teria cabeça, com ou sem dor, para um banho de rio gelado, ainda mais com todo esse chuvão.

Mas divago e me afasto da pergunta inicial. Tem quem afirme que não, lembrando que a situação atual é muito complicada: poucas unidades hoteleiras, o desaparecimento das convenções das grandes empresas da capital e falta de eventos importantes. Concordo e complemento, a divulgação da marca Nova Friburgo está muito deficiente e não é de hoje.

Sabemos que nosso município, por suas características geográficas e climáticas, tem todo o potencial para atrair visitantes do mundo inteiro. Turismo, com T maiúsculo, é um assunto muito sério, um ótimo negócio para quem visita e quem recebe, desde quem encarado com profissionalismo, dedicação e inovação.

Campos do Jordão, em São Paulo, por exemplo, tem no turismo sua principal atividade econômica. O assunto é tão levado à sério, que o antigo Grande Hotel virou um hotel-faculdade, para formação de mão de obra especializada. Gramado e Canela, nossa vizinha Petrópolis, São Joaquim e sua neve catarinense e Penedo, a terra dos finlandeses, ali perto de Resende, são alguns bons exemplos.

É claro que Nova Friburgo é uma cidade turística. E quando afirmo isso, estou incluindo Lumiar, São Pedro da Serra, Boa Esperança, Conquista, Três Picos e tantos outros lugares que até mesmo muitos friburguenses nem conhecem. O circulo vicioso – comércio fecha porque não tem turista e turista não vem porque o comércio fecha – tem que ser quebrado.

Vamos pensar no turismo de aventura, ecológico, esportivo, rural, cultural, urbano, radical e até mesmo naquela turma que só viaja para dormir e encher a pança. Todos são turistas, uai! Nova Friburgo tem um patrimônio natural incomparável, sabe receber os visitantes e só precisa reencontrar sua vocação!

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Um dos assuntos recorrentes aqui na cidade, desde o trágico 12 de janeiro, é a suspeita que de que o número de vítimas fatais nas cidades da Região Serrana foi bem maior do que o anunciado, para evitar uma possível intervenção da ONU – Organização das Nações Unidas aqui na região.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, no ano passado.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Mas, para não dizer que essa história é pura lenda urbana, vejam só o que achei na edição de 15 de janeiro do ano passado, do Estado de SP:

“O serviço humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu ajuda ao Brasil e se colocou à disposição para auxiliar no resgate e atendimento à população após um dos maiores desastres naturais da história do País. Mas, apesar de contatos diplomáticos, o governo brasileiro optou por não aceitar a participação da ONU nos trabalhos. Nos últimos anos, aceitar o envolvimento das Nações Unidas se transformou, na visão de vários governos, em certificado de incapacidade desses políticos de lidar com problemas domésticos.”

Acho que isso explica tudo, não é mesmo?

Hora de escrever

Quanto custa um trabalho intelectual? Para ser direto, será que escrever um artigo regularmente, até mesmo aqui para o blog não deveria ter algum tipo de retorno? Escrever exige pesquisa, tempo, atenção, disciplina e dedicação, sem esquecer o mais importante, honestidade e transparência.

Escrever é também um trabalho braçal. A sensação de sentar diante de um monitor vazio, com o prazo de entrega estourando e a vaga sensação de que não tem absolutamente nada para dizer é sempre angustiante. Isso sem falar na preocupação com a grafia correta, a acentuação, uso de vírgulas, a fluidez do texto e, é claro, sua inteligibilidade.

Ernest Hemingway dizia que “se um escritor deixa de observar, está liquidado.” Escrever, para mim pelo menos, é ver, processar e informar. Aliás, informação, meus caros, nas mãos erradas, pode ser uma arma muito perigosa. É bom lembrar que quem vence as guerras escreve a sua verdade e não necessáriamente a verdade, não é mesmo? Ou meias verdades, que são piores ainda.

A liberdade de expressão , sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia e acrescento também como vital, o direito à informação. Esconder, mentir ou suprimir informações, ainda mais envolvendo a segurança do cidadão e seu patrimônio, deveria ser um crime hediondo.

Qualquer pessoa sempre tem algo a dizer, mas bem poucos se atrevem a escrever e se expor. Afinal, “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.”(Clarice Lispector)

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Foto: Carlos Emerson Junior

Sirenes são apenas um alerta

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A Voz da Serra

Choveu forte neste final de semana e o Córrego D’Antas mais uma vez foi bem atingido. O rio transbordou, a ponte provisória foi levada pelas águas mas, felizmente, não tivemos nenhuma vítima para prantear.

As sirenes não soaram. Segundo Marilene Ramos, presidente do INEA, “a sirene que está funcionando em Friburgo é para deslizamentos de encostas, e não havia o nível de chuva suficiente. Entretanto, foram dados dois alertas de inundação. O que não aconteceu foi o alerta de transbordamento. Que acontece via SMS. Houve um problema técnico na estação que ainda está passando por fases de ajustes“.

As autoridades estão devendo, desde a tragédia de janeiro, a dragagem do rio e a construção de uma ponte definitiva. Aliás, a ponte provisória que caiu foi reerguida no domingo por voluntários da Cruz Vermelha de Nova Friburgo, em uma demonstração de solidariedade que serve de exemplo diante da omissão do poder público com a segurança e o bem estar dos seus cidadãos.

A instalação das sirenes, cercadas de muita expectativa, foi a única providência tomada para garantir a segurança de Nova Friburgo nesta estação de chuvas. Muito pouco, convenhamos. Sirenes são apenas alarmes, nunca a solução. Além do mais, nosso sistema é precário porque não tem câmeras de monitoramento, depende de sites de terceiros, não dispõe de uma central de operações e muito menos um radar meteorológico.

A Defesa Civil friburguense ainda é uma subsecretaria, não tem autonomia e verbas. Faltam engenheiros, geólogos, equipamentos e, mais uma vez, precisamos contar com a boa vontade e disposição de abnegados que tentam fazer seu serviço, a nossa proteção, da melhor maneira possível.

Estamos cansados de promessas vãs e palavras ao vento. Só teremos paz quando as obras de reconstrução e proteção da cidade forem iniciadas, se é que algum dia o serão. Enquanto isso, a cada chuva seremos obrigados a ficar de olho na barreira do lado e nos níveis dos rios, insones à espera do pior.

Só que paciência tem limites e a população jamais aceitará passar mais um verão correndo para fora de casa toda a vez que as sirenes soarem. Aliás, um ditado popular diz que “um dia a casa cai” e a próxima, senhores, pode não ser a dos moradores e sim as casas legislativa e executiva do município.

As eleições de outubro de 2012 estão aí e vamos dar uma resposta à altura do seu pouco caso e desrespeito com os moradores de Nova Friburgo.

História do Pingo

Pingopor Fatima Emerson

Vocês não conheceram o Pingo…

Foi o “nosso” primeiro cachorro. Só não sabiamos disso. Eu que sempre fui apavorada com bichos, aprendi a conviver com o Pingo, na portaria do meu prédio.

Quando nos mudamos para Copacabana, havia um cachorro preto, aspecto de vira latas (ou sendo politicamente correta, “sem raça definida”) que, apesar de ter um dono, perambulava pelas ruas do Posto 4 com muita desenvoltura.

A maior parte do tempo ele permanecia na porta do nosso prédio, no seu posto de sentinela na calçada, sentado na área externa da portaria, que naquela época não tinha grades à sua volta como hoje. E as pessoas passavam, cumprimentavam o porteiro, quem mais estivesse na portaria e acrescentavam:

– Olá Pingo!

– Bom dia Pingo!

Era um cão sério, raramente pulava e mantinha um ar de altivez, paz e responsabilidade na guarda da portaria, nem se mexia. À noitinha, retornava ao apartamento do seu dono.

Às vezes, quando caminhávamos na praia, aproveitando o sol da Avenida Atlântica, esbarravamos no amigo canino. E onde passava tinha sempre alguém que o reconhecia:

– Olá Pingo!

– Você por aqui, Pingo?

Um carinho, um agrado… Ele? nunca latia, parava com um, com outro ou mesmo seguia em sua caminhada diária. Naqueles tempos, cães podiam andar livremente na praia e nas areias, sem causarem espanto.

Um dia seguimos o Pingo: ele ia seguro pelas ruas do Posto 5 em Copacabana. Ao chegar numa esquina, esperou pacientemente que se juntassem várias pessoas e se posicionou – só atravessou quando todos foram juntos. Aí aprendemos o seu segredo e porque nunca foi atropelado.

Todos os dias, a mesma coisa. E todos já contavam com aquela rotina silenciosa, seus olhos castanhos, brilhantes e amorosos, como um sinal de que tudo estava em paz.

Mas, com o tempo, Pingo foi ficando malhado, seus pelos embranqueceram e sua altivez se modificou. Passou a caminhar menos e quando o fazia, preferia a companhia do seu dono. Numa das ultimas vezes em que o vi, ia carregado no colo para a praia que tanto amava. E, um dia, silenciosamente, Pingo se foi.

Junto com ele, foi um pouquinho de todos nós, que sentimos a falta da sua companhia, cão de um dono, mas cão de todos nós. E, se há um céu dedicado aos cães, tenho certeza de que o Pingo está por lá, numa praia ensolarada, sem carros, com imensa areia branca fresquinha, ondas baixinhas, verdadeiras marolas como ele gostava, onde hoje ele corre, brinca e se esbalda!

Publicado no Maria Filomena – Uma história de amor, em 17 de julho de 2011.

Foto: Nenhum Animal é Brinquedo

Uma viagem complicada

Só pode ser algum tipo de carma… Viagem marcada de volta para Friburgo pela onipresente 1001, saindo do Castelo às 16:10, linha direta até a nossa Rodoviária Sul. Chego no Menezes Cortes um pouco mais cedo e ouço o que não queria ouvir: o ônibus para Friburgo foi lacrado pelo Detro.

– Como assim? E agora?

Pois é, por irregularidades na documentação o veículo foi impedido de iniciar a viagem. A medida que o horário da partida se aproximava e os passageiros chegavam, a situação ia ficando cada vez mais nebulosa. Fomos exigir um outro veículo em condições de, parece brincadeira, viajar!

– Estamos desviando um carro da Rodoviária para cá. Por favor, aguardem apenas uns vinte minutos.

Tudo bem, mas vocês conhecem o Terminal Menezes Cortes. A parte das lojas é uma beleza mas as plataformas… Envenenamento por CO2 alí perde! Mas divago. Depois de loooongo tempo encosta um G7 novinho em folha, para alegria da patuléia e tristeza dos fiscais do Detro que aí não tinham o que fazer.

Embarcamos todos rindo e felizes (é claro que estou brincando), apertamos os cintos, o motorista ligou a ignição e o G7 bateu num ônibus da Viação Amparo que saía do terminal. Juro! As reações foram as mais variadas. Eu liguei para a minha mulher às gargalhadas, de puro nervoso, só pode. Uma parte do pessoal saltou de novo para ver o estrago e outros ficaram xingando o motorista, a 1001 e até o prefeito do Rio que, nesse caso, não tinha nada a ver com a história!

Para resumir a aventura: os fiscais das empresas se entenderam, os fiscais do Detro, com pena, liberaram e a viagem finalmente começou. Mas aí já não teve jeito, pegamos engarrafamento na Perimetral, Ponte Rio-Niterói e na famigerada Estrada do Contorno. Cheguei em Nova Friburgo às 20:10, quatro horas depois.

Ufa! Agora, aqui entre nós, que mancada, 1001!

Foto: Anpleco Buss

Os zumbis estão chegando

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E depois falam que eu sou maluco, só porque adoro filmes e livros de zumbis, aqueles seres que um dia vão dominar a Terra e comer o cérebro de todos os humanos restantes! Aliás, a maldade é tanta que já chegaram a espalhar por aí que um pedaço da minha cabeça já foi devorado, que horror! A única coisa que perdi de lá até agora foram os cabelos e, meus caros leitores, ao contrário de vocês, estou mais do que preparado para sobreviver num mundo dominado por essas criaturas abjetas, desprovidas de humanidade. Um dia ainda serei o próprio The Omega Man, a última esperança da Terra!!

Mas botando os pés no chão, não é que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) acaba de divulgar instruções de como se preparar para um ataque apocalíptico de zumbis?

O comunicado publicado na página da entidade pretende usar o apelo midiático do tema para ajudar a divulgar formas de se preparar para emergências reais. Ainda assim, o CDC parece ter levado a sério o tema e inclui detalhes bem específicos contextualizando um ataque desta natureza. Os preparativos foram elaborados a partir dos relatos dos mortos-vivos comedores de cérebro que aparecem em filmes e livros – eles seriam criados por um vírus infeccioso e transmitidos por mordidas e fluídos corporais, ou seria fruto de radiação e mutações.

Segundo o CDC, o aumento dos zumbis na cultura pop fez aumentar também a crença de que um ataque realmente poderia acontecer – mas as pessoas saberiam o que fazer nesta eventualidade? “Esperamos responder a essas perguntas para você e, quem sabe, compartilhar algumas dicas de como se preparar para emergências de verdade também”, diz o texto.

O primeiro passo seria montar um kit de emergência que o ajude a chegar até um campo de refugiados não- zumbis. Ele deveria conter água, comida (não perecíveis), remédios; ferramentas (canivete, fita-crepe, rádio com baterias), itens de higiene (desinfetante, sabão, toalhas), roupas de cama, documentos (cópias das carteiras de motorista, passaporte e certificados de nascimento), kit de primeiros socorros (que o CD ressalta ser inútil no caso de uma mordida zumbi…).

Em seguida, é preciso já deixar a sua família avisada: aonde ir e o que fazer se os zumbis aparecerem na porta de casa? Escolham dois locais de encontro: um perto e um longe de casa e faça uma lista de contatos de emergência. Também é importante planejar a sua rota de saída, afinal, diz o CDC, “quando zumbis sentem fome eles não param até obterem comida (cérebro)”.

O órgão afirma ainda que, caos os zumbis atacassem, seriam conduzidas investigações como no caso de qualquer outra pandemia. Testes, análises e controle de pacientes, com isolamento e quarentena ajudariam a determinar a causa da doença, a fonte da infecção, como ela é transmitida, como se espalha, como interromper seu ciclo e como tratar pacientes.

E agora? Eu bem que avisei!

Fonte: Info Online