O apagão

Foto: Carlos Emerson Junior

Onde você estava quando as luzes se apagaram na noite da última sexta-feira, dia 2 de outubro? Pois é, peguei emprestado o título de um antigo filme da década de 60, com Doris Day e Patrick O’Neal para falar sobre o apagão que deixou no escuro cerca de 20 municípios fluminenses (incluindo Nova Friburgo), durante quase quatro horas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, concessionaria local, problemas em 3 subestações de força de Furnas foram os vilões da história.

Eu estava em casa, lendo um livro e esperando que a máquina de lavar roupa completasse seu ciclo de lavagem quando, faltando uns cinco ou dez minutos para as cinco horas da tarde, o estabilizador de voltagem da geladeira apitou, um dos notebooks o acompanhou e a luz sumiu por uns quinze minutos.

Não dei a menor importância, afinal tenho experiência no ramo: na década de 50 e 60, criança ainda, convivi com os racionamentos de energia no Rio, dia sim e o outro também, em dois horários, um pela manhã e o outro à noitinha. Quando comprei o apartamento de Nova Friburgo, em um bairro praticamente desabitado e cheio de mata em volta, a luz ia e vinha ao sabor do vento, da chuva e do sol. Ah, e dos relâmpagos e trovões também!

Por volta das seis da tarde, fui abrir a porta de casa para minha mulher e, surpresa, a luz se foi de novo, só se normalizando às nove e meia da noite quando, completamente entediados, já avaliávamos a hipótese de subir para o quarto e dormir até o dia seguinte. Infelizmente nossos planos foram por água abaixo quando lembramos que a máquina de lavar, cheia de roupas, ainda tinha alguns ciclos a cumprir.

E foi isso. A luz iluminou, a lavadora lavou e a vizinhança reclamou, com toda a razão: imagina como ficaram os hospitais da cidade, cheios de cidadãos com o vírus? No dia seguinte, atrás de notícias, só conseguimos duas notas das empresas de luz aqui da região, avisando que não tinham nada a ver com isso e que passaram a noite remanejando as linhas de transmissão para manter o serviço ativo.

Furnas, por sua vez, publicou sua versão, atribuindo as falhas nas estações de Rio das Ostras, Duque de Caxias e Belford Roxo, garantindo que “as causas da ocorrência ainda estão sendo apuradas”. Tomara que sim. O que menos precisamos é de uma repetição dessa “ocorrência”, ainda mais depois de tantos anos sem maiores problemas.

E o legado da história? Achei uma caixa com 6 velas, comprada a uns vinte anos atrás, quando o Sans Souci ainda era um lugar isolado, praticamente sem luz. Quase um achado arqueológico.

oOo

Aos idosos que não se entregaram, aos que ainda lutam para superar suas dificuldades e àqueles que cuidam uns dos outros, força e coragem para seguir em frente e vencer essa peste!” (Ana Borges, Jornal A Voz da Serra)

Muito oportuno e bem-vindo o belo artigo publicado no Caderno Z, do jornal A Voz da Serra deste sábado (que por causa do apagão circulou no domingo) escrito pela amiga e jornalista Ana Borges, sobre os mais atingidos pelo covid-19, os idosos, a turma que já passou dos 60, 65, 70, a minha turma, enfim. Oportuno, instrutivo e inspirador. Obrigado, Ana.

O link para leitura on line está aqui: https://avozdaserra.com.br/noticias/aos-idosos-que-nao-se-entregaram-e-aos-que-ainda-lutam-para-superar-dificuldades.

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