Paradoxo de Fermi ou o sumiço das lixeiras da Urca

No dia 20 de maio de 1950, a revista norte-americana “The New Yorker” publicou uma charge do cartunista Alan Dunn, colocando a culpa pelo sumiço das latas de lixo da prefeitura da cidade de Nova York em simpáticos alienígenas. Aliás, confesso que pensei algo parecido quando, em 2017, as latas de lixo laranjinhas desapareceram do dia para a noite do bairro da Urca, no Rio.

Quatro físicos do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, vão almoçar juntos. Enrico Fermi, Emil Konopinski, Edward Teller e Herbert York comentam a crescente onda de avistamentos de OVNIs e, é claro, a charge com os felizes ETs e suas lixeiras novaiorquinas. De repente, Fermi faz uma pergunta: “onde está todo mundo”, que acabou dando origem ao famoso paradoxo, a “contradição entre a probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências para, ou contato com, tais civilizações”.

É bom lembrar que isso aconteceu em 1950 e até hoje, julho de 2018, 68 anos depois e muita tecnologia e conhecimento disponível, nada mudou. Radiotelescópios varrem estrelas, galáxias, pulsares, buracos negros, exoplanetas e estrelas de neutron à procura de sinais alienígenas. Aliás, em 1974 um deles, o de Arecibo, transmitiu enviou uma mensagem codificada com dados de nossa civilização, na direção de uma galáxia distante 25 mil anos luz, com estimadas 300 mil estrelas. Apesar de todo o esforço, continuamos escutando apenas o silêncio.

Enrico Fermi trabalhou no desenvolvimento do primeiro reator nuclear, teoria quântica e mecânica estatística. Ganhou o Nobel de Física em 1938, quando ainda morava na Itália. Emigrou para os Estados Unidos e participou do Projeto Manhattan, que fez a primeira bomba atômica. Morreu de câncer, prematuramente, em 1954. Em um de seus últimos textos deixou um alerta sobre o uso da nova arma e torcia “que o homem se tornasse suficientemente adulto para fazer bom uso dos poderes que ele adquiriu da natureza.”

Pelo que temos vivido e, principalmente, o tamanho dos arsenais nucleares, será muito mais fácil encontrar um ET do que serenidade e bom senso em humanos.

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