Os mortos não cantam

Foto: Carlos Emerson Junior

Estava duro dormir! Virou uma, duas, três vezes na cama. Tirou o cobertor, sentiu frio, puxou o cobertor. O culpado era o samba. Amaldiçoou o infeliz que resolveu transformar o botequim infecto que existia desde sempre no prédio da frente em um, putaquepariu, barzinho temático. Agora vivia cheio, fazendo barulho, muito barulho, gente cantando e gritando sem limites, sem noção, sem hora para acabar. Sabia que ia acordar completamente exausto no dia seguinte.

Cerrou os olhos com força para ver as manchas marrons que iam surgindo até se transformarem no rosto de uma pessoa qualquer, se aproximando e apontando o dedo, como uma acusação. Sentiu um calafrio e, do nada lembrou do conto do Stephen King que havia lido na véspera, “Braço de Mar”, batizado e publicado inicialmente pelo autor como “Os mortos cantam?”. Na verdade, talvez esse fosse o título mais adequado para a história horripilante do Mestre do Medo. E ficou pensando o que ele faria se estivesse deitado aqui, no meio de toda zoeira. Talvez soltasse um de seus monstros na rua, devorando todo o barzinho e seus frequentadores com uma dentada só.

Nem notou quando caiu no sono.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.