Visões

De repente sentiu uma coceira danada nos olhos, daquelas de desesperar. Parou na calçada, tirou os óculos e esfregou a vista como se não houvesse amanhã, mesmo sabendo que isso não se deve fazer. Ah, que se dane, coçar o olho daquele jeito era bom demais. Voltou a olhar, conferiu que a coceira se fora e quase caiu de susto no chão. O velho, ancestral, histórico Palácio do Catete, bem à sua frente, estava diferente, cheio de cores, parecendo uma pintura, uma alegoria carnavalesca. Fechou os olhos novamente, coçou de novo, sacudiu a cabeça e olhou novamente.

– Moço, o senhor está passando bem? A voz feminina, ao lado demonstrava preocupação. Olhou de novo para o hoje museu e aliviado conferiu que as cores tinham desaparecido, o dia seguia calorento e normal no Rio de Janeiro. Agradeceu a preocupação da senhora e retomou seu caminho. É isso, pensou, sua obsessão com o Carnaval estava saindo dos limites. Ainda bem que a sexta-feira já está chegando e a esbórnia só vai acabar na quarta-feira. Ou não!

Foto: Carlos Emerson Jr.

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