O bazar

Leu o aviso no quadro-negro, parou, atravessou a rua e meio sem jeito deu uma espiada além da porta. Roupas penduradas em araras, sapatos, luvas, echarpes, cintos, mulheres para todos os lados conversando ou examinando as peças. Literalmente, um bazar de verdade, bem de frente para o mar.

Reconheceu a dona do negócio. Jovem e bonita, destacava-se das demais por uma única e simples razão, já se conheciam das caminhadas diárias. Ela sempre correndo, ele andando acelerado e invariavelmente se cumprimentando quando se cruzavam em algum ponto da rota.

“O senhor deseja alguma coisa? Um presente para sua esposa, ou filhas, quem sabe?”

A moça bonita o olhava com curiosidade. Ficou desconcertado, sorriu meio amarelo e tentou explicar que só entrara ali para ver como era o bazar, uma novidade naquele bairro onde não acontecia absolutamente quase nada.

“Vem cá, eu sou a Lara e você é o….?

“Paulo”.

“Pois é, Paulo, acho que somos vizinhos, não é mesmo?

“Sim, moro na rua de cima e, para falar a verdade, praticamente todos os dias nos cruzamos aí na orla.”
“Claro, agora lembrei de onde o conheço. Você vai treinar amanhã?

“Vou e presumo que você vai correr, não é mesmo?”

“Por que não vamos juntos? Metade do percurso a gente corre e o restante caminha até o barzinho do Forte. Aí a gente abre uma cerva e vamos nos conhecendo. Que tal?”

“Sete horas?”

“Sete horas, sem falta, partida aqui do bazar, ok?”

“Fechado.”

Voltou para casa se sentindo uns vinte anos mais novo. Aquele bazar realmente era mágico!

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