O Rio parou

 

Tenho amigos taxistas. Brinco que eles são o meu “Uber” amarelinho. Se não fossem eles, meu sogro, que vai fazer 92 anos – não teria como ir e voltar da sessão de fisioterapia de ontem pela manhã, em plena greve dos motoristas que paralisou o Rio. Sem o menor problema e com toda a segurança.

Obrigado, Vítor!

Manifestações, protestos, reivindicações públicas, tudo isso é democrático, direito de todos. Parar uma cidade, prejudicando o trabalho de milhões de pessoas, chega a ser um crime. Assisti pela tv verdadeiras cenas de horror: uma senhora abraçada a um bebê, indo a pé para o Aeroporto do Galeão, pela Avenida Vinte de Janeiro, debaixo do maior sol.

pablojacobogloboUma grávida, dentro de um automóvel particular preso em um engarrafamento, começou os trabalhos de parto. Foi acudida pela PM que abriu a caminho à força mesmo! Um motorista de terno, guiando um carro preto, em Copacabana, foi cercado e ameaçado, só podia ser do Uber. Não era e sim um policial civil que, pedindo socorro para a guarda municipal, conseguiu seguir.

Motoristas de táxi que, como o meu amigo acima, trabalhavam normalmente (direito seu, aliás), foram atacados e alguns passageiros expulsos dos carros; um grupo tentou fechar a Ponte Rio-Niterói, sendo impedidos pela Polícia Rodoviária, mas o estrago estava feito: o congestionamento quase chegava em Manilha.

Aqui na Urca tudo calmo, tão calmo que o primeiro ônibus que chegou foi lá pelas dez da manhã. Ao pessoal que trabalha nas escolas militares da Fortaleza de São João só restava respirar fundo e caminhar desde a estação do metrô de Botafogo.

Enfim, o caos!

O sistema de transportes do Rio de Janeiro é, historicamente, horrível. A maior cidade turística do Brasil não tem um metrô decente, trens e barcas operam confusa e quase sempre de forma precária, o sistema de ônibus é inadequado, muitas vezes ultrapassado, caro e precário. E, para coroar toda essa mixórdia, não existe integração, no sentido exato da palavra.

Os táxis… bom, são 35 mil profissionais autorizados pela Prefeitura, um número até bem razoável, mas, a prestação do serviço é bem deficiente, além de um problema sério de falta de civilidade e educação. Todo mundo já passou alguma vez por uma péssima experiência com os táxis cariocas. Não à toa o Uber cresce exponencialmente, principalmente após manifestações arbitrárias como essa.

Lamentável a lenta e tímida reação do poder público, em particular a Prefeitura do Rio de Janeiro. Dar um prazo (que não foi cumprido) para o término da manifestação é uma demonstração de fraqueza ou coisa pior… A prioridade básica, garantir o direito de ir e vir do cidadão, foi ignorada. Mais uma vez, é claro.

No final das contas, foi uma sexta-feira perdida. Os taxistas não acabaram com o Uber, este, por sua vez, não conseguiu operar e a população, que em sua grande maioria não tem nada a ver com isso (transporte individual é caro), foi a maior prejudicada. Afinal, ficar parado no trânsito, dentro de ônibus, trens e barcas velhas e sem nenhum conforto não é para qualquer um, não senhor.

Ah, Cidade Maravilhosa, o que fizeram com você?

Fotos: Pablo Jacob e Gabriel de Paiva (O Globo)

3 comentários em “O Rio parou

  1. Com bem disse caro amigo tudo é democrático até chegar a linha do crime. Também tenho amigos taxitas, urbistas, policiais, bombeiros, médicos enfim, todos nós temos amigos e conhecidos em diversas profissões e que as respeitam. O que ocorreu ontem no Rio foi um ato criminoso insuflado por pseudos taxistas criminosos. Garanto que as ditas 180 multas aplicadas ou se tornaram propinas para pseudos policiais ou os advogados que trabalham para tais criminosos irão entrar com pedido de nulidade. Esse é nosso Brasil, isso é nossa Cidade Maravilhosa e essa a nossa In – Justiça. 😦

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