Recicle-se

Todas as segundas-feiras é a mesma coisa: o caminhão da coleta seletiva chega no condomínio para recolher o lixo reciclável, já devidamente separado e embalado. Não, não estou falando de nenhum país do primeiro mundo ou escrevendo ficção científica, isso acontece aqui onde moro, em Nova Friburgo.

Infelizmente, como nem tudo é perfeito, esse oportuno serviço vem perdendo a adesão da população por puro desconhecimento. Vários amigos relataram que a coleta em seus bairros simplesmente acabou porque ninguém mais depositava o lixo separado nos ecopontos das praças ou prédios. Aí não dá e sem uma campanha de esclarecimento, uma boa iniciativa morrerá de inanição.

Sem querer ser muito didático, cabe aqui lembrar o que é coleta seletiva e lixo reciclável: a primeira é o recolhimento dos materiais que podem ser reciclados, previamente separados na fonte geradora, como alguns tipos de plásticos, papéis, metais e vidros. Por sua vez, o segundo é todo o material que após ser descartado, é aproveitado para a fabricação de novos produtos.

A vantagem desse procedimento é evidente. A vida útil dos aterros sanitários é prolongada e o meio ambiente menos contaminado. O uso de matéria-prima reciclável diminui o consumo de nossos recursos naturais. É sempre bom ter em mente que também produzimos lixo tóxico: uma mera pilha alcalina, por exemplo, tem um tempo de degradação de 100 a 500 anos, contamina o solo e cursos d’água com metais pesados como o chumbo, destrói a flora e a fauna e, em contato com o homem, provoca doenças como o câncer.

Os dados sobre o lixo no Brasil são impressionantes e vem crescendo ano após ano. Já estamos produzindo diariamente mais de 250 mil toneladas, que vão parar em aterros sanitários (76%), lixões (20%), reciclagem (2%) e outros (2%). Especialistas afirmam que o aumento do poder aquisitivo e a mudança do perfil de consumo da população são responsáveis por esses números. Quanto mais produtos industrializados, mais lixo é produzido, como embalagens.

Os ambientalistas defendem a regra dos 3Rs, “reduzir, reutilizar e reciclar”. E o que é isso? Bom, simplificadamente, seria produzir menos resíduos, dar novos usos a materiais já utilizados e reaproveitar esses materiais na fabricação de novos produtos. Só que sem disciplina e determinação, nada feito. É por isso que defendo tanto as campanhas periódicas de esclarecimento. A população de uma cidade está sempre se movendo e seu engajamento só será possível se todos estiverem bem informados.

E já que estamos falando em informação, vocês sabiam que algumas cidades brasileiras estão trocando lixo reciclável por alimentos? Em Curitiba o projeto “Câmbio Verde” completou 21 anos, promovendo a troca mensal de 260 toneladas de lixo reciclável por 80 toneladas de alimentos, beneficiando milhares de famílias.

Seu funcionamento é simples: quinzenalmente o caminhão do Câmbio Verde troca o lixo coletado pelos moradores por frutas e verduras frescas e da época. Quatro quilos de lixo reciclável são revertidos em um quilo de alimento. Óleo de cozinha usado também pode ser trocado. Cada dois litros depositados em garrafa pet são trocados por um quilo de frutas e verduras.

Em Caxias do Sul a experiência começou em 2009, seguindo os mesmos padrões de Curitiba, mas com uma pequena diferença, a necessidade de incentivar a separação de materiais recicláveis na periferia da cidade, onde a geografia atrapalha a coleta de porta em porta. Segundo a prefeitura, já foram distribuídos mais de 220 toneladas de alimento em troca de quase 900 toneladas de recicláveis. Caxias do Sul recicla 25% do lixo que produz, enquanto a cidade de São Paulo recicla apenas 1,5%.

Criatividade e boas ideias é que não faltam e fico me perguntando se não seria o caso de estudar a viabilidade de um projeto desses para Nova Friburgo. De qualquer maneira, reciclar é preciso. Se o seu bairro, rua ou condomínio ainda não possui esse serviço, tente reciclar a cabeça dos responsáveis. Procure se informar na prefeitura ou na empresa de recolhimento de lixo.

Reciclar dá trabalho, sem dúvida, mas quem disse que viver nesse planetinha, com sete bilhões de vizinho, seria uma moleza? Que tipo de mundo você quer deixar para seus filhos, netos e bisnetos? Um imenso depósito de lixo? Claro que ninguém quer uma coisa dessas e temos a obrigação de fazer a nossa parte.

Para encerrar, vou deixar como dever de casa uma listinha com os materiais que podem ser reciclados. Recorte e cole na parede para não esquecer na próxima vez que for jogar seu lixo fora. A natureza, penhorada, agradece!

PAPEL:
jornais, revistas, caixas, papelão, formulários, cartolinas, cartões, envelopes, rascunhos, fotocópias, folhetos, impressos e aparas. (Devem estar secos, limpos, de preferência não amassados. As caixas de papelão devem estar desmontadas por uma questão de otimização do espaço no armazenamento).

METAL:
latas de alumínio, latas de aço (óleo, sardinha, molho de tomate), ferragens, canos, esquadrias, arame. (Limpos e, se possível, reduzidos a um menor volume).

PLÁSTICO:
tampas, potes de alimentos, PET, garrafas de água mineral, recipientes de limpeza, higiene, PVC, sacos plásticos, brinquedos e baldes. (Limpos e sem resíduos para evitar animais transmissores de doenças próximo ao local de armazenamento).

VIDRO:
potes, copos, garrafas, embalagens de molho, frascos. (Limpos e sem resíduos. Podem estar inteiros ou quebrados. Se quebrados devem ser embalados em papel grosso).

A Voz da Serra, 7/7/2012

6 comentários em “Recicle-se

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