A jornada do Rio

O Papa

– “se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?”

– “eu gosto quando alguém me diz: eu não estou de acordo. Esse é um verdadeiro colaborador.”

– “na cultura do provisório, muitos pregam que o importante é curtir o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente. Sim, nisto peço que se rebelem, que se rebelem contra a cultura do provisório. Eu tenho confiança em vocês, jovens, tenham a coragem de ir contra a corrente, tenham a coragem de ser felizes. “

– “um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo!”

– “houve casos de jovens que foram às ruas expressar a vontade de uma civilização mais justa. Os jovens nas ruas! São estes jovens que querem se transformar em protagonistas da mudança. Não permitam que outros sejam os protagonistas. Vocês são. O futuro vai chegar através de vocês.”

– “entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade.”

– “nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma.”

– “aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio beneficio. Também para vocês e para todas as pessoas eu repito: nunca desanimem, não percam a confiança, a realidade pode mudar, o homem pode mudar.”

Os peregrinos

Acho que para todos os cariocas, a garotada católica que veio do mundo inteiro para Copacabana foi a uma grata revelação: educados, alegres, ordeiros, colaboradores, surpreendentes. A praia estava, dentro do possível, limpa, bem como as ruas e avenidas em sua volta. Ao contrário de minhas preocupações, o pequeno número de moradores e comerciantes que dominam o inglês não foi problema algum. Alguns encontros impossíveis estavam lá: americanos confraternizando com cubanos e iranianos, chineses e japoneses em papos animados, sei lá em que língua, africanos, asiáticos, o que você imaginasse. Os meninos fizeram uma festa belíssima.

Os moradores

Na última hora desisti de subir para Nova Friburgo e resolvi passar a semana toda aqui acompanhando a Jornada como um simples morador que sou. Realmente fiquei preocupado e temeroso quando o esquema de Guaratiba falhou e soube que o plano B era a “minha praia”. Mas tudo correu bem e acho que os três milhões de convidados foram bem recebidos. Pessoalmente não tenho nada a reclamar: telefone, internet, água, comércio e luz funcionaram sem o menor problema.

Em alguns momentos ficamos ilhados e sem transporte algum mas, para quem está acostumado a andar grandes distâncias, chegou a ser divertido. Acho que os moradores de Copacabana deveriam ter algum tipo de compensação pela realização indiscriminada e sem aviso desses megaeventos, mas as autoridades podem estar certas que vamos cobrar (com juros) nas próximas eleições.

O prefeito

O esquema montado pela prefeitura do Rio foi de uma incompetência exemplar! Nesse quesito, o prefeito, no alto de sua soberba imbecil, merece uma nota dez e, porque não, uma excomunhão exemplar. Falhou tudo e a imagem da cidade está indelevelmente marcada. A prefeitura não tinha um plano B (aliás, tenho minhas dúvidas se existia algum plano A) e, para não perder o hábito, o terreno de Guaratiba já está cercado de denúncias. O metrô mais uma vez falhou, os ônibus fizeram o que bem entenderam, os táxis sumiram. Nada que surpreenda um carioca mas, lamentável para quem quer fazer uma olimpíada na cidade.

A cidade

Apesar de tudo e inclusive da chuva que castigou a cidade durante quase toda semana, o Rio recebeu bem seus visitantes, como habitualmente o faz. No final de semana o sol de inverno retornou e um céu de um azul profundo iluminou o evento. Mesmo quem não é religioso, como eu, não deixou de sentir uma pontinha de orgulho assistindo a Jornada emoldurada por uma cidade tão bonita. Tenho certeza que os peregrinos vão sentir uma pontinha de saudade.

13 comentários em “A jornada do Rio

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