O caso do descaso

A mulher, já na fase final da gestação, procurou a UPA – Unidade de Pronto Atendimento, por volta das 16 horas. Lá, foi orientada a aguardar em casa os primeiros sinais do parto. No meio do caminho de volta, dentro de um supermercado, a criança resolveu nascer, colocando clientes e funcionários em polvorosa.

Alguém correu até a UPA, que fica ao lado, pedindo ajuda. Os funcionários informaram que nada poderiam fazer e que o SAMU deveria ser acionado. Os bombeiros foram chamados mas, como demoraram muito, o trabalho de parto começou com a ajuda do pai da grávida e de uma mulher que tinha alguma prática.

No meio de toda aquela aflição, uma pessoa lembrou que a Unimed tem a sua UPA bem em frente ao supermercado e saiu em disparada para lá. Pois sim! As enfermeiras e um médico, alegando que eles não podem prestar atendimento de emergência nas ruas, pediram que a paciente fosse levada para lá.

Depois de muita confusão, correram todos para o local, já isolado por policiais. O parto acabou sendo feito no chão mesmo, nascendo uma menina. Uma maca foi providenciada e mãe e filha levadas para dentro da unidade do plano de saúde, de onde foram removidas removidas para um hospital municipal quando a ambulância dos bombeiros chegou e passam bem.

Pois é, a história é verídica e aconteceu em pleno sábado, perto de casa, em Copacabana. O local é movimentadíssimo, com um um shopping center, estação do metrô, terminal de ônibus, um batalhão da PM, uma UPA, duas delegacias da polícia civil, bares, restaurantes e muito comércio. Toda essa estrutura, no entanto, não foi suficiente para socorrer uma grávida.

Apesar do final feliz, esse é o triste retrato da saúde no Rio e no Brasil. Completo pouco caso com o paciente, nenhuma estrutura para os profissionais mas claro, moeda de troca poderosa nas eleições. Já ouvi gente dizendo que não estamos na Suiça, mas lembro que pagamos impostos suecos sem nenhum retorno.

Não será entupindo as poucas unidades de saúde ainda operacionais com médicos recém-formados ou estrangeiros que esse quadro vai mudar. Falta gestão, planejamento, seriedade, humanidade e vergonha na cara. O buraco é muito mais embaixo e só não vê quem não é capaz.

Ou não quer.

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