Crack


.
por Carlos Emerson Jr.

Antigamente, mas bem antigamente mesmo, a palavra “crack” servia para designar um atleta fora de série, geralmente um grande jogador de futebol do tipo do Heleno de Freitas, Garrincha, Zizinho, Pelé e tantos outros. Meu pai chegava até a usa-la em seus artigos para os jornais lá de Campinas. Bons tempos…

Hoje crack e cracolândia estão em qualquer dicionário e com um significado sombrio e mortal. O crack finalmente se espalhou pelo Brasil e volta e meia somos surpreendidos com cenas deprimentes mostrando uma multidão de viciados, crianças, adultos e velhos aglomerados em um ponto abandonado qualquer, tal qual zumbis de filmes de terror, completamente à mercê de seu vício.

Assaltos, prostituição, furtos e demais atos violentos são cometidos por pessoas destruídas pela droga, sem se importar com as consequências de seus atos. Uma tristeza só.

Mas o que é exatamente o crack e quais os seus efeitos ?

A droga é uma mistura de cocaína em pó, bicarbonato de sódio ou amónia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos. Estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, o crack provoca dependência física e leva à morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença à dor e ao cansaço.

E mais: o crack eleva a temperatura corporal, podendo levar o usuário a ter um acidente vascular cerebral. A droga também causa destruição de neurônios e provoca no dependente a degeneração dos músculos do corpo, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo: ossos da face salientes, braços e pernas ficam finos e costelas aparentes. Normalmente um usuário de crack, após algum tempo de uso utiliza a droga apenas para fugir da sensação de desconforto causado pela abstinência e outros desconfortos comuns à outras drogas estimulantes: depressão, ansiedade e agressividade.

Mas, se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a se fazer notar. Em apenas 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário surgirão inevitavelmente o desgaste físico, a prostração e a depressão profunda.

Os danos à saúde são tão grandes que o farmacologista Dr. F. Varella de Carvalho assegura que “todo usuário de crack é um candidato à morte”, porque ele pode provocar lesões cerebrais irreversíveis por causa de sua concentração no sistema nervoso central.

É um problema sério. Segundo a própria Agência Brasil, o uso do crack é considerado com uma espécie de fim de linha no trajeto da dependência química, o que reforça o preconceito contra quem consome essa droga, por muito tempo associada à população de rua. Pesquisadores, usuários e traficantes ressaltam este aspecto do vício, que pode se configurar como um agravante para a recuperação.

Os traficantes do Rio, durante muito tempo, resistiram a comercializar o crack por acharem que ele destruía rapidamente a saúde e, também, pela imagem dos usuários. O dependente de crack é considerado uma pessoa sem valores, no qual não se pode confiar, ele é o ponto mais baixo em uma escala de degradação humana.

Meus caros amigos, a hora da sociedade encarar essa tragédia é agora, sem hipocrisia, politicagem ou preconceito. Esse artigo foi escrito em 2010 e, de lá para cá, o consumo dessa droga se expandiu, enquanto ficamos todos nós metidos em um inútil e interminável blá-blá-blá. O problema é mundial e requer uma abordagem séria e audaciosa. Mas antes de mais nada, precisamos olhar para dentro de nós mesmos, sem hipocrisia e assumir uma posição.

Ficar simplesmente de braços cruzados é falta de humanidade.

Fontes:
Antidrogas.com 
Oficina Ciência Viva 
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD
Foto: Agência Estado

5 comentários em “Crack

  1. O Brasil hoje é um dos maiores consumidores de drogas do mundo. O problema é que ninguém discute à sério esse assunto, todo mundo age como se ainda estivessemos no tempo daquela turma que caia pelas ruas tomando cachaça.

    Nossa sociedade é hipócrita e os governos que se sucedem nada fazem e nem vão fazer. Esse assunto não rende votos!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s